quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Servir Aset

Servir Aset significa aprender a se amar antes de qualquer coisa. Significa reconhecer sua Divindade interior e saber que você não merece nada menos que o melhor. Cuidar bem de si mesm@ antes de cuidar do mundo.

Servir Aset significa acabar com a autopiedade (e não gostar nem um pouco de ver as pessoas fazendo isso). Significa enfrentar os problemas com a cabeça erguida, assumir a responsabilidade por seus atos e por suas escolhas.

Servir Aset significa reconhecer a força do Sagrado Feminino e lutar pelo empoderamento e pela sororidade. Significa saber a força do Sangue e ter certeza de que juntas somos mais que a soma de cada uma de nós. Significa aplicar a frase "mexeu com uma, mexeu com todas".

Servir Aset significa trazer o Amor para cada ato, cada palavra, cada gesto. Significa aprender a se amar, mas também descobrir outros amores: profissionais, pessoais, carnais. Significa desconstruir aquilo que achamos que sabemos para construir uma vida baseada em Verdade e Paixão pelo que se faz e o que se tem.

Servir Aset significa não mais aceitar o medíocre. Significa sempre fazer o seu melhor, com o que tiver no momento.


Servir Aset significa compreender o significado de ser Mãe, com toda a responsabilidade, o trabalho e o Amor maior que isso envolve. Significa descobrir que você é muito mais forte do que você pensa.

Servir Aset significa ser dona de seu próprio destino e tecer aquilo que se quer viver. Significa compreender o poder da palavra e do pensamento para aprender a usá-los a nosso favor. Significa fortalecer seu Poder e sua Magia.

Servir Aset significa aprender a levantar sozinho, sabendo que Ela tem certeza de que você é capaz. Significa aprender a andar com as próprias pernas, ter atitude e saber se impor quando necessário.

Servir Aset significa viver pela Plenitude e pela Felicidade de ser quem você é.

Servir Aset significa aprender a se ouvir quando tudo parece silêncio. Significa aprender a se entregar quando tudo parece ruir, porque depois da queda, tudo fica ainda melhor do que antes já foi.

Servir Aset significa Amar com intensidade, Atuar com intensidade, espalhar Amor, Força e Magia. Significa mudar a realidade dentro e fora de nós para criar um mundo cada vez melhor.

Com Aset, eu descobri e ainda descubro quem eu sou, para que estou aqui, a minha força, a minha fraqueza e como trabalhar com elas ao meu favor. Com Aset, eu aprendi a me amar por mim, e a partir daí, conhecer o Amor saudável de um companheiro. Com Aset, eu compreendi o Amor e a Responsabilidade de ser Mãe e toda a força e o peso desta função. Com Aset, eu aprendo cada dia mais, e espalho o Amor por onde eu fôr.

É por tudo isso e muito mais que eu sirvo Aset, hoje e sempre.


domingo, 16 de julho de 2017

Aset Ontem

Há alguns anos, a gente posta textos que falam sobre Aset e o que ela representa; seus mitos, correspondências e influências em nossas vidas.

Mas como e quando surgiu o culto a Ela? Como ele era?

Não se sabe ao certo quando começou o culto a Aset, mas há documentos que remontam à V dinastia no antigo Egito (em torno de 2500 a.C.). Referências do mito de Isis e seu amado Osíris mostram que, naquele tempo, o mito já havia desenvolvido de maneira bem próxima da última versão da história, mas suas origens devem ser consideravelmente mais antigas. Historiadores acreditam que os detalhes desse mito se solidificaram durante a Primeira e a Segunda Dinastias, quando vários outros mitos e rituais egípcios se estabeleceram – logo após a unificação do Alto e Baixo Egito pelos primeiros reis. 

O livro Os Mistérios de Isis menciona que é possível que Aset tenha surgido a partir de uma mulher real, que ensinou várias coisas ao povo Egípcio, e a partir daí foi transformada em Divindade (semelhança com o filme Cloud Atlas, não?). Acredita-se que seu culto iniciou-se no delta do Nilo (onde ele se divide em vários braços para desembocar no mar Mediterrâneo), no Norte do Egito (onde ficava o chamado Baixo Egito).

O Delta do Nilo visto à noite

O Baixo Egito foi uma região de comunicação com a Ásia, e foi invadida por povos de lá, sendo depois utilizada como base bélica para campanhas. A cidade de Pi-Ramsés, localizada lá, se tornou capital do Egito na XIX Dinastia, e depois, no período Ptolomaico e Romano, a região se tornou um importante centro econômico, cultural e político.

O culto a Isis foi popular antes de 3100 a.C., originado na cidade de Sebenitos (no Baixo Egito). Existem três grandes templos em honra a Ela no Egito: um em Behbeit el-Hagar (no Baixo Egito), um em Dendara (no Alto Egito) e um em Filas (no Alto Nilo). O templo de Filas resistiu até o século VI, muito depois da ascensão do cristianismo, até que Justiniano I (que governou de 527 a 565) mandou fechá-lo. Esse foi o último templo a ser fechado, resistindo ao decreto de Teodósio de 380 d.C., que determinava a destruição de todos os templos pagãos. Até o governo de Justiniano I, todos os anos, a imagem de Aset era levada rio acima para fins divinatórios, sendo devolvida em seguida.

O culto a Aset se difundiu além das fronteiras do Egito, e a base no Baixo Egito muito teve sua contribuição. Seu culto assumiu o lugar do culto a Astarte em Biblo; ela assumiu características de Hathor na época do Helenismo. Após a conquista do Egito por Alexandre o Grande, seu culto difundiu-se pelo mundo greco-romano e, daí, Ela foi tomando uma posição de Deusa dominante no mundo mediterrâneo, sempre em sincretismo com outras divindades existentes nos locais em que ela chegava - por isso, foi chamada a Deusa dos Dez Mil Nomes. Existem paralelos entre Isis e Maria, feitos ao final do império romano. A imagem de Aset amamentando Heru é bastante similar à de Maria com Jesus. No começo da Era Comum, o culto a Isis havia se espalhado por toda a região Mediterrânea. Era estimado que, no primeiro século d.C., 10% das pessoas na cidade de Pompéia eram Isíacos. Seu culto foi encontrado por todo o Império Romano, da Inglaterra à Romênia.

Aset amamentando Hórus em comparação com a imagem de Maria com Jesus.



Seu nome significa "Trono", e este era o símbolo em sua coroa antes que ela assumisse características de Hathor. Ela era inicialmente retratada como uma mulher com um vestido longo, por vezes portando um lótus ou um sicômoro. Quando assumiu aspectos de Hathor, ganhou os chifres de vaca com o disco solar. Muitas vezes, foi retratada com Hórus ou segurando o Ankh, entre outras representações.

Aset foi cultuada como mãe de Hórus, como edificação da esposa do faraó, como esposa de Osiris, como Senhora da Magia, e foi absorvendo características de diversas outras Deuses egípcias. Uma de suas principais características, que a tornou a mais importante e poderosa divindade do panteão egípcio, é a de Senhora da Magia.

Alguns entendem Isis e Aset como Deusas diferentes, talvez por todo o sincretismo que ocorreu após a difusão de seu culto pelo mundo. Eu, pessoalmente, percebo uma Deusa só, sendo chamada de Aset (ou Iset, ou Auset, depende da fonte) pelos antigos egípcios (ou keméticos) e de Isis a partir do período helênico (alguns keméticos podem não concordar comigo). Como Isis, ela ganhou uma faceta mais maternal, semelhante à de Maria. Para mim, esta foi a forma que a Deusa encontrou de continuar sendo cultuada após os sincretismos em outras culturas.

Creio que ela foi bem sucedida, não é verdade? Afinal de contas, hoje ela voltou a ser uma das principais Deuses cultuadas pelo mundo. Percebo que cada dia mais pessoas sentem o chamado dela de alguma forma, e ela inclusive inspirou alguns sistemas específicos. Mas essa parte fica pra outro post! :)

Fontes:

REGULA, DeTraci. Os Mistérios de Isis.
FORREST, M. Isidora. Isis Magic.
BOLTON, C. L. Magician, Mother and Queen: A Research Paper on the Goddess Aset.
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis
http://www.asarucollege.org/who-is-isis-and-who-is-aset/
https://en.wikipedia.org/wiki/Mysteries_of_Isis




domingo, 19 de março de 2017

Aset e a Maternidade

Ai, Deusa! Já faz mais de um ano que eu postei aqui! D:

Gente, mil desculpas. Eu realmente nem lembrei muito do blog, não. A maternidade toma tempo, sim, mas não todo ele. Toma muita energia, também. E aí acabei priorizando outras coisas por enquanto. Meu blog pessoal também ficou um tanto parado. Tô cheia de ideias de posts, desde que o filhote nasceu, e não tô escrevendo quase nada, nem pra mim.

Mas então, hoje resolvi trazer um pouco da minha experiência de maternidade com Aset.

Ela está presente o tempo todo. Mesmo em silêncio, sinto ela próxima. Hoje quero contar uma situação específica que aconteceu uns meses atrás.

O meu filho não gosta muito de andar de carro. Agora, depois de um ano, tá ficando mais fácil, mas era DESESPERADOR. Ele chorava muito, nada fazia ele parar. Direto, voltando pra casa (um percurso de uns 30-40 min) eu tive que parar algumas vezes pra acalmá-lo e continuar o caminho. Foi tão difícil que eu comecei a esperar ele ter o sono noturno pra voltar pra casa com ele apagado. E ainda assim, qdo ele sentava no bebê conforto, eu tinha q parar e acalmá-lo antes de sair. Sério, uma vez eu demorei TRÊS HORAS pra chegar em casa por causa disso.

Bom, então, uma vez, quando ele tinha uns seis ou sete meses, eu saí com o carro, ele chorando atrás, e eu já desesperada. Já tinha acontecido algumas vezes, e isso vai estressando e frustrando um pouco a gente, sabe? É muito difícil se sentir extremamente impotente quando o seu bebê tá chorando loucamente e vc precisa sair.

Ele tava lá, chorando, e eu parei o carro. Saí do banco da frente, sentei do lado dele atrás, e quase chorei junto com ele. Gritei um pouco, estressada. Aí peguei meu celular.

Um dos meus amigos tinha me mandado uma imagem, dizendo q havia se lembrado de mim. Era a imagem de uma estátua de Aset amamentando Heru bebê, tipo essa:


Uma das formas boas de acalmar o bebê é amamentando. Eu já tinha tentado isso naquela hora, sem muito sucesso - foi colocar ele de volta na cadeirinha que o choro voltou com força. Mas aí, ao ver essa imagem, senti Aset falando comigo: calma, tá tudo bem.

Hoje, lembrando desse episódio, eu penso que ela queria me dizer que aquilo fazia parte do processo. Bebês estão aprendendo a viver nesse mundo, e isso não é muito fácil, não. E obviamente que eles não vão se comportar da maneira que gostaríamos, só porque queremos. Eles não estão nem aí pro q a gente pensa, vão continuar sentindo e fazendo as coisas do jeito deles. Somos nós, na nossa correria do dia, que criamos expectativas de como um bebê precisa se comportar, e ficamos irritados se ele não corresponde à imagem que fizemos.

Desde que o meu bebê nasceu, tenho me inspirado em Aset para cuidar dele. Tanto nos mitos dela e em como ela cuida de Heru, como na forma que ela cuidou de mim durante esses anos. Deixando eu cair pra aprender a me levantar sozinha. Não permitindo a autopiedade. Acolhendo.

Sinto que ela disse, naquele momento no carro, que não estar tudo bem tb quer dizer que tá tudo bem. Entendem? Faz parte do processo. Mãe e filho aprendendo a conviver, se entendendo, vivendo as frustrações e tal. Uma vez vi a Hel Mother falar isso num video e achei bem válido.

Hoje, o filhote ainda dá umas reclamadas no carro, mas consigo andar pelo menos 20 minutos sem um choro desesperador, só um barulhinho aqui ou ali. Também procuro (quando dá) sair de carro com ele quando ele está com sono, pra dormir no caminho, quando preciso andar bastante. Isso ajuda muito, muito mesmo.

E eu? Eu de vez em quando ainda me frustro quando ele não corresponde às minhas expectativas. Também estou aprendendo a não tê-las. E todo dia percebendo que Aset está aqui, comigo, enquanto eu vivencio a minha própria maternidade.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Envenenamento de Horus


Um dia, quando Aset voltou a seu esconderijo, encontrou Horus deitado no chão, e ela mal ouvia seu coração. Ela não sabia o que havia atingido seu filho e, quando usou sua magia, percebeu que seu poder havia a abandonado. Ela estava sozinha, seu marido estava morto, nenhum dos Deuses estava lá para ajudá-la. Ela pegou seu filho e correu para a vila mais próxima. Os pescadores tentaram de tudo, mas não conseguiram curá-lo. Então, alguém trouxe uma mulher que o examinou e disse:

“Deve ter sido Set que se disfarçou de cobra ou escorpião e o envenenou.”

Aset concordou com a mulher e a raiva tomou conta dela. Ela disse:

“Horus foi mordido! Ra! Um filho seu foi mordido! De herdeiro a herdeiro, um link direto com o reinado de Shu, Horus foi mordido! O bebê de Chemmis, a criança da Casa do Príncipe, Hórus foi mordido! A bela criança dourada, a criança órfã inocente, Horus foi mordido! O filho do Ser beneficente, nascido daquele que é Cheio de Lágrimas, Horus foi mordido! Eu o observei tão ansiosamente, pois previ que ele vingaria seu pai...”

Sua irmã Néftis veio chorando e foi ouvida por todos os lugares. Serqet disse:

“Diga, o que aconteceu com Heru, filho de Wesir? Ah, Aset, minha irmã! Peça aos céus e o barco de Rá irá parar, e o vento cósmico irá parar de soprar para o barco de Ra enquanto Heru está ao lado dele.”

Aset elevou sua voz de gritou para o barco de milhões de anos, tão alto que a terra tremeu e o barco parou seu curso. Thot veio ao seu encontro, e Aset contou a ele que Set havia envenenado Horus, e que ela desejava ter morrido com Osiris. Ela só viveu para ver Heru crescer e se vingar da morte do pai, mas agora não havia mais razão para que ela vivesse.

Thot a consolou: “Qual o problema, Aset, você que é tão divina e talentosa, e conhece a magia? Uma garantia da segurança dele está no barco de Ra. O sol está no local de ontem, para que tudo fique escuro. A luz não voltará até que Heru retome sua saúde, para a alegria de sua mãe Aset.”

Ele disse as palavras de poder: “Saia, Veneno! Você é exorcicado pelo feitiço de Rá. São as palavras do Grande Deus que o eliminam!”

E o veneno foi eliminado do corpo de Heru, e ele retornou à vida.

O Nome Secreto de Rá


Para evitar que isso se repetisse, Isis percebeu que deveria ser ainda mais poderosa – igual em poder e altura a Ra. Ela viu que isso poderia ser conseguido se ela descobrisse o nome secreto de Ra, o nome que ninguém além dele próprio sabia.

Ra chegava aos céus todos os dias no barco de um milhão de anos, mas ele estava velho e babava. Sua saliva caiu no chão. Isis, a Maga, pegou um pouco da saliva, misturou com terra em suas mãos e criou uma serpente mortal. Em sua mão, a serpente permanecia parada, não a machucava. Então ela enviou a serpente pelo caminho que Ra seguia todos os dias.

No dia seguinte, Ra e seus seguidores passaram pela serpente e ela o picou. Seus gritos poderosos alcançaram os céus. Todos perguntaram o que era, mas Ra não conseguia responder. Suas mandíbulas travaram, ele bambeou, o veneno o percorreu como o Nilo percorre o Egito. Então Ra contou a todos que uma coisa mortal o atingira. Ele não sabia o que o havia atacado e nem quem enviara a criatura.

Os Deuses e Deusas foram a Ra, lamentando, Então Isis chegou, trazendo Sua magia. Em sua boca havia o Sopro da Vida; por sua fórmula, os mortos tornam à vida e o mal é repelido.

“O que aconteceu, Pai Divino? Conte-me. Será que algo que Você criou virou-se contra você? Minhas palavras vão eliminá-lo!”

O Deus explicou a Isis o que ocorreu e como ele sentia dor.

“Diga-me seu Grande nome, seu Nome Sagrado, pois aquele que é chamado pelo nome viverá!”

“Eu criei os céus. Eu criei a Terra. Eu uni as montanhas. Se eu abrir meus olhos, há luz. Se eu os fechar, há escuridão.” Ele falou por muito tempo sobre tudo o que ele criou e os poderes que possuía.

Mas Isis disse: “O que você me disse não é Seu nome. Diga-me o Seu nome para que eu retire o veneno de Ti. É Aquele que Revela Seu Nome que Viverá!”

O fogo do veneno queimou no Deus e a dor era insuportável, mesmo para um Deus. E ele disse: “Eu me dou a Isis para que ela me procure e meu Nome passará de meu corpo para o dela.” Isis também fez Ra jurar que daria seus Dois Olhos a Horus, o Sol e a Lua. Ele fez o juramento e passou seu nome para Isis.

Então, Isis, Senhora da Magia, disse: “Eu sou Isis! Eu que trabalho, eu que faço o veneno sair e cair no chão! Veneno, saia de Ra! Ra vive e o veneno morre! O veneno morre e Ra vive! “

E tudo aconteceu como Isis, A Poderosa, Rainha dos Deuses, Que conhecia Ra por seu Nome, disse.




Por Aileen Daw

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Vivenciando os mitos de Aset

Eu já mencionei algumas vezes sobre como tenho vivenciado os mitos de Aset desde que escolhi me consagrar a Ela.

Alguns sabem que eu estive seis meses na Bélgica e voltei recentemente. Pois é, essa estadia trouxe mais vivências desse mito. Eu estava esperando voltar pra compartilhar depois de compreender pelo menos boa parte dele. Queria escrever de forma poética, mas não sei se vai dar certo. Tentemos.

Comecemos com um pequeno fato: eu fui pra Bélgica sozinha. Meu noivo ficou em Brasília, uma decisão tomada por nós dois porque percebemos que seria melhor para nós individualmente e não faria ninguém se arrepender de más escolhas. Foi um voto de confiança no nosso relacionamento, também, porque sabíamos que não seria fácil.

Então parti para Bruxelas. Tive alguns problemas no começo: aluguei um apartamento antes de ir, cheguei lá e não tinha apartamento nenhum. Pois é, sofri um golpe. Já tinha ido pra lá numa tristeza muito grande de deixar minha casa, meu noivo, meus gatos, meus amigos e família aqui, cheguei lá nesse choque. Mas ok, dos males o menor: perdi uma grana, mas tive ajuda de duas pessoas que me acolheram em casa até eu achar um lugar pra mim - o que demorou só uma semana. Achei um lugar bem bacana, no final das contas, a dois minutos do metrô, bem perto da faculdade, para onde eu fui todos os dias. Dividi o apartamento com uma moça.

Os primeiros três meses lá foram até tranquilos. Viajei bastante, conheci alguns lugares ao redor, me aproximei de algumas pessoas, fiz amizades. Mas é claro que a saudade batia cada vez mais forte.

Então, finalmente, em maio, meu Amor foi me visitar! Vivemos uma Lua de Mel. Viajamos por ali, conhecemos lugares juntos, matamos as saudades. Ele ficou quinze dias comigo e foi embora.

Esse foi o marco de duas fases diferentes dessa viagem, pra mim. Depois que ele foi embora eu fiquei mais sozinha. Já não viajei tanto, porque não tinha tanta companhia. O pessoal do laboratório não saiu tanto juntos (cada um tem sua vida pessoal, afinal). As coisas começaram a ficar esquisitas com a menina com quem eu estava morando, cada vez menos comunicação. 

Em junho eu descobri que estava grávida e, ao mesmo tempo em que isso foi uma emoção enorme que me deixou muito feliz, eu não tinha ninguém próximo pra compartilhar essa felicidade. Dei a notícia pra todo mundo pela internet. As únicas pessoa que eu vi (via Skype) quando contei foram meus pais e meu irmão. O pai do bebê soube pelo telefone, mas nós dois estávamos em locais onde não dava pra ligar a câmera. Então, toda a emoção foi praticamente via Whatsapp com os amigos próximos e a família. O pessoal de Bruxelas deu apoio, mostrou preocupação, mas não era a mesma coisa. Eu recebi um único abraço pela notícia lá.

Quando descobri a gravidez, eu percebi algumas conexões das coisas que eu vivi com os mitos de Aset: Após a primeira morte de Wesir, ela ficou buscando por ele um tempo. Quando ela o encontrou, ela trouxe a vida pro corpo dele para gerar Heru. E logo depois, Set foi lá e esquartejou Wesir.

Comigo, felizmente, foi um pouco mais tranquilo - a morte de Wesir foi representada pela nossa distância: o fato de termos ficado longe, nos encontrado, concebido um bebê e ele ter ido embora de novo. E eu agradeci muito a Aset por isso. Ela mesma disse: "melhor viver o mito dessa forma, não é?"

É, é sim, com certeza!




Mas eu ainda precisava viver o luto. Aset foi gentil de manter meu Amor comigo, mas no final das contas, eu precisava entender o que significava a perda súbita de alguém querido.

E então eu recebi a notícia da morte do meu primo por acidente de moto. E lá estava eu, na Bélgica, sozinha, enquanto a minha família toda se reuniu para velar o meu primo. Todo mundo se deu força e eu não pude estar presente. Vivi o luto sozinha, como Aset.

Quando Wesir morreu, Aset foi presa por Set. Durante sua gravidez, ela esteve na prisão, tecendo o enxoval e as bênçãos de seu filho. Ela escapou da prisão com a ajuda de Djehuty, Maat e Seshat, quando estava prestes a dar à luz.

Eu, felizmente, não fiquei lá até o final da gravidez. Eu só precisava viver um pedacinho disso para entender o que Aset sentiu. Eu fui me sentindo cada vez mais sozinha, até chegar um momento em que eu estava contando os dias pra voltar pra casa. E nos últimos cinco dias antes de ir embora, eu tive uma briga muito feia com a menina com quem eu morei. Viajei na quarta. No sábado, passei o dia longe e, quando cheguei em casa, me tranquei no quarto para não encontrar com ela. No domingo, ela fechou todas as portas da casa para evitar contato. Na segunda-feira, tivemos uma discussão ridícula (em todos os sentidos) por mensagem (pq eu não queria olhar na cara dela). E nesses três dias, então, eu fiquei meio presa no meu quarto enquanto eu estava dentro de casa. Na terça, eu já tinha deixado tudo arrumado, e com a ajuda de dois amigos eu saí de lá e passei as últimas horas antes de ir embora longe daquela prisão ridícula, na casa desses amigos (que me ajudaram e me apoiaram muitas outras vezes lá).

Chegar a Brasília foi um alívio. Amigos e mãe me recebendo no aeroporto, família, finalmente abraços. Mas eu ainda não vi o meu Amor, porque quando eu cheguei, ele é que estava viajando. Foram mais uns dias de saudade. O mais legal foi que, como três meses antes, quando ele foi me visitar, quando nos vimos foi como se não tivesse passado tempo nenhum.

É curioso como eu já pensei tantas vezes nessa vivência toda, comentei com algumas pessoas, mas escrever sobre ela trouxe toda a emoção de volta. É incrível perceber a profundidade de toda essa experiência, de como ela trouxe Aset pra mais perto de mim (afinal de contas, Ela sou eu, e eu sou Ela). Escrever essa vivência me trouxe toda a tristeza de novo, toda a solidão, todo o Amor, toda a saudade. Mas também trouxe toda a gratidão por tudo que eu tenho, pelo Amor na minha vida, por esse bebê que cresce em meu ventre (e bem, ser Mãe faz parte da vivência para me consagrar a Ela, que é uma Mãe por excelência).

A Aset, então, eu ofereço a dor que eu senti, a solidão, a sensação de prisão. Eu compartilho a Sua dor, Mãe, e sei que ela te fez mais forte, assim como a minha dor me fez mais forte. Eu ofereço todo o Amor em minha vida, toda a alegria da minha volta, a valorização daquilo que é precioso pra mim.



A Aset, todas as coisas belas e puras.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Uma Roda do Ano com Aset


Na Wicca, nós temos o costume de escolher uma Deusa ou um casal divino para nos acompanhar e abençoar durante uma Roda, a Deusa Madrinha e o Deus Guia. Durante a Roda, nós mantemos contato com esses Deuses, recebemos seus ensinamentos, aprendemos suas lições e conhecemos um pouco mais sobre eles e sobre nós mesmos com eles.

Uma das dúvidas que já surgiu algumas vezes foi: eu preciso celebrar todos os Sabbats e Esbats com minha Deusa Madrinha e Deus Guia?

Não, não precisa. Você pode escolher quaisquer divindades para trabalhar nos Sabbats e nos Esbats, conhecendo ainda mais Deuses e Deusas de tantas culturas ricas em simbolismos belos. Mas celebrar os Sabbats com os mitos associados a uma Divindade é uma das formas de se aproximar daquela Divindade e focar sua Roda nela, caso seja de seu interesse.

Eu fiz isso com Aset em uma parte da minha consagração a Ela. Para isso, associei cada Sabbat a um mito dela que tivesse a ver com o tema daquele Sabbat. É claro que nem sempre vamos conseguir uma associação perfeita, afinal, nem todos os mitos seguem a Roda do Ano Wiccaniana, mas é possível fazer associações legais trabalhando em cima dos temas do ciclo do Deus.



A minha Roda ficou assim:

Yule - O nascimento de Heru
Imbolc - A relação de Aset e Yinepu
Ostara - Aset encontra Wesir
Beltane - O casamento de Aset e Wesir
Litha - Concepção de Heru
Lammas - Nascimento dos filhos de Nut
Mabon - Aset e o nome secreto de Ra
Samhain - A morte de Wesir (lamentações de Aset e Nebet-Het)

Como os Sabbats são associados ao ciclo do Deus, achei importante dar esse enfoque em cada um dos rituais que eu criei, trazendo os Deuses que fazem parte da história de Aset para cada celebração. Essa foi uma associação pessoal, e pode ser que vc não concorde com ela e encontre novas associações.

Outra coisa q vc pode fazer para se aproximar mais de uma Deusa durante a Roda é celebrar os Esbats com as faces daquela Deusa. Aset tem várias faces diferentes que podem ser trabalhadas e estudadas dessa forma. Também podem ser trabalhadas como forma de autoconhecimento, trazendo as questões daquela face para sua vida e entendendo a sua percepção daquele tema.

A minha associação pessoal foi para uma Roda com Aset, mas você pode fazer isso com qualquer divindade que quiser, trazendo os temas para sua vida e se aproximando mais dos Deuses que escolheu cultuar.

Se vc decidiu fazer uma associação diferente da minha para Aset ou se escolheu fazer isso com outra divindade, compartilhe conosco! E boa jornada! =)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Aset-Perséfone

Eu estava procurando alguns textos aqui no blog e reli esse aqui.

Quase 4 anos atrás, eu escrevi sobre as experiências de vivenciar os mitos de Aset. Sobre ela nunca ter tudo ao mesmo tempo e tal. E hoje, fazendo uma reflexão mais profunda, eu percebo que isso não é verdade.

Aset passou por períodos muito difíceis, sim, mas depois de vencer seus desafios e conseguir no nome de Rá, ela teve tudo que ela amava perto dela.

Eu vivenciei mais um dos mitos de Aset estando aqui em Bruxelas. Vivenciei o momento em que Set a prendeu e ela ficou sozinha por muito tempo, na própria companhia, quando Osíris havia sido embalsamado e estava no Submundo.

Um pouco mais da minha história vem depois... por enquanto eu só queria marcar isso: Sim, Aset teve períodos em que realmente não tinha tudo que amava ao mesmo tempo. Mas depois ela conseguiu. E é legal ver isso claro nas vivências de suas sacerdotisas, também. =)

Aguardem mais sobre o assunto =)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Tirando os Deuses de Caixinhas

Nós sempre escrevemos sobre os Deuses dizendo que eles são Deuses disso, daquilo e daquilo outro. Colocamos os Deuses em pequenas caixinhas. E o mesmo, claro, é feito com Aset. Deusa da Magia e da Fertilidade, de Cura, do Amor. E sempre que eu leio isso, entendo por que foi escrito dessa forma, mas vejo a Deusa olhando e pensando: "mas eu sou só isso?"

Fazendo um pequeno paralelo, se fosse descrever alguém dessa forma: Aileen é relacionada a videos, tecnologia e ao ensino. Claro, isso tem a ver comigo, porque sou eu que faço os videos para o canal da TCS, administro o fórum e os grupos do Facebook e sou professora e pesquisadora. Mas eu não sou só isso.

E quando a gente estuda os mitos das divindades e consegue entendê-los como a história de vida dessas divindades, entende que tudo faz parte de quem ela é, fica um pouco mais difícil colocar os Deuses em caixinhas. Aset é uma Deusa de Magia porque ela sempre usou a Magia com muita propriedade. Ela aprendeu e fez o que precisava ser feito e para isso usou Magia. Ela queria um filho, então ela reviveu Wesir para tornar isso possível, fazendo dela uma Deusa relacionada a fertilidade por ter sucesso no que queria. Ela auxiliou Heru em diversos momentos de sua luta pela coroa, fazendo dela até mesmo uma Senhora da Guerra e uma estrategista. E ela fez tudo isso sendo linda, vaidosa e dona de si.

Isis Chibi, por Chairim Arrais


Então, sim, ela é todas essas coisas, mas ela é muito mais que isso. Como todos os Deuses, ela é plena em si mesma e não se limita a essas características. E é por isso que vejo Aset como uma Deusa que pode te ajudar a trazer quem você é, sem limitações. Ela pode te ajudar com magia, sim. Pode te ajudar a vencer suas batalhas. Pode te ajudar a ter sua família, a ter um filho, a ter amor. Mas principalmente, ela te ensina a ser você mesmo.

Pode ser que isso signifique descobrir que você não quer ter filhos ou não quer casar, mesmo que ela seja uma Deusa extremamente ligada a esses aspectos. Pode ser que você não seja uma pessoa que goste de joias, de maquiagem. E ela, mesmo vaidosa, adorando isso, vai te dizer "faça o que quiser, pois o importante mesmo é você ser plen@ consigo mesm@". É você se amar, se descobrir, saber quem você é e não se deixar ser outra coisa só porque a sociedade pede isso. É você ser quem você quer ser porque isso te faz feliz.

Tudo que Aset fez foi buscando sua felicidade, no final das contas. Ela sofreu a perda de seu marido, ela quase perdeu seu filho. Ela manipulou quem precisou para conquistar o que ela queria. Para isso ela foi Maga, foi Mãe, foi Amante, foi Guerreira. Mas se você não for nada disso, ela ainda assim vai te ajudar a descobrir e ser você, plenamente.

terça-feira, 28 de abril de 2015

O Templo Estelar de Aset - Descrição

Passou um tempo, algumas pessoas me mandaram certas descrições... e eu estava só esperando receber um arquivo muito fofo da Chairim pra postar a descrição do Templo pra vcs! E ficou pronto! =D

Então, hoje vou descrever um pouco do que eu vi no Templo Estelar de Aset.

Para começar, ele fica no meio do Universo, envolto por várias estrelas a diferentes distâncias. Eu diria q é próximo de Sirius, mas o que é considerado próximo nessa imensidão? Não sei, né? =)

Bom, a entrada do templo tem um "telhado" triangular, similar aos de templos gregos antigos. Alguma coisa como isso aqui:

Templo de Júpiter, reconstrução, encontrei na internet.

Porém, em vez desse tanto de colunas, eu vejo apenas duas, alinhadas ao portal que fica atrás delas.

O templo é feito de pó de estrelas. É como vidro, mas não exatamente transparente. É prateado e cintila. Mas é forte e firme como... bem, como o que forma qualquer coisa forte e firme. hehehe.

Ao entrar, há um corredor bem amplo, com várias colunas dos dois lados. Não há teto, então é possível ver o Universo do lado de fora. Nas colunas, há diversos hieroglifos.

Dependendo de onde vc entrar (porque há mais de uma entrada), vc poderá ver uma piscina nesse corredor. Você pode mergulhar nela para se purificar, para relaxar, para se curar.

No final do corredor, há um altar. É uma pedra em forma de trapézio e em cima dela há duas velas acesas. Entre elas, um vasilhame redondo com uma chama grande e prateada. Sempre que vc for lá, alimente a chama prateada com seu Amor e Honra a Aset.

Atrás deste altar, vemos Aset. Ela está de pé e linda como sempre. E a Chairim fez o desenho dela pra mim, e foi mais ou menos assim que eu vi:



A imagem dela pode ser um pouco diferente pras pessoas, imagino eu, mas essa descrição básica foi uma coisa que eu vi e que mais duas pessoas viram beeeem similar. Recebi descrições que não bateram muito e elas estão guardadas para futuras referências, pois este não é o único templo astral de Aset e Ela pode ter escolhido levar vocês pra algum outro...

Existem algumas outras coisinhas por lá. Quem vir, me conta pra ver se a gente viu similar também! =)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Música para Aset

Eu postei isso no Youtube um tempo atrás e esqueci de colocar aqui!

Aí vai uma música para honrar Aset!



Isis, Aset, Deusa da Magia
Trono do mundo, velada e desvelada
Lágrimas de dor, lágrimas de amor
Doadora da vida, dá-nos guarida (2x)