domingo, 19 de março de 2017

Aset e a Maternidade

Ai, Deusa! Já faz mais de um ano que eu postei aqui! D:

Gente, mil desculpas. Eu realmente nem lembrei muito do blog, não. A maternidade toma tempo, sim, mas não todo ele. Toma muita energia, também. E aí acabei priorizando outras coisas por enquanto. Meu blog pessoal também ficou um tanto parado. Tô cheia de ideias de posts, desde que o filhote nasceu, e não tô escrevendo quase nada, nem pra mim.

Mas então, hoje resolvi trazer um pouco da minha experiência de maternidade com Aset.

Ela está presente o tempo todo. Mesmo em silêncio, sinto ela próxima. Hoje quero contar uma situação específica que aconteceu uns meses atrás.

O meu filho não gosta muito de andar de carro. Agora, depois de um ano, tá ficando mais fácil, mas era DESESPERADOR. Ele chorava muito, nada fazia ele parar. Direto, voltando pra casa (um percurso de uns 30-40 min) eu tive que parar algumas vezes pra acalmá-lo e continuar o caminho. Foi tão difícil que eu comecei a esperar ele ter o sono noturno pra voltar pra casa com ele apagado. E ainda assim, qdo ele sentava no bebê conforto, eu tinha q parar e acalmá-lo antes de sair. Sério, uma vez eu demorei TRÊS HORAS pra chegar em casa por causa disso.

Bom, então, uma vez, quando ele tinha uns seis ou sete meses, eu saí com o carro, ele chorando atrás, e eu já desesperada. Já tinha acontecido algumas vezes, e isso vai estressando e frustrando um pouco a gente, sabe? É muito difícil se sentir extremamente impotente quando o seu bebê tá chorando loucamente e vc precisa sair.

Ele tava lá, chorando, e eu parei o carro. Saí do banco da frente, sentei do lado dele atrás, e quase chorei junto com ele. Gritei um pouco, estressada. Aí peguei meu celular.

Um dos meus amigos tinha me mandado uma imagem, dizendo q havia se lembrado de mim. Era a imagem de uma estátua de Aset amamentando Heru bebê, tipo essa:


Uma das formas boas de acalmar o bebê é amamentando. Eu já tinha tentado isso naquela hora, sem muito sucesso - foi colocar ele de volta na cadeirinha que o choro voltou com força. Mas aí, ao ver essa imagem, senti Aset falando comigo: calma, tá tudo bem.

Hoje, lembrando desse episódio, eu penso que ela queria me dizer que aquilo fazia parte do processo. Bebês estão aprendendo a viver nesse mundo, e isso não é muito fácil, não. E obviamente que eles não vão se comportar da maneira que gostaríamos, só porque queremos. Eles não estão nem aí pro q a gente pensa, vão continuar sentindo e fazendo as coisas do jeito deles. Somos nós, na nossa correria do dia, que criamos expectativas de como um bebê precisa se comportar, e ficamos irritados se ele não corresponde à imagem que fizemos.

Desde que o meu bebê nasceu, tenho me inspirado em Aset para cuidar dele. Tanto nos mitos dela e em como ela cuida de Heru, como na forma que ela cuidou de mim durante esses anos. Deixando eu cair pra aprender a me levantar sozinha. Não permitindo a autopiedade. Acolhendo.

Sinto que ela disse, naquele momento no carro, que não estar tudo bem tb quer dizer que tá tudo bem. Entendem? Faz parte do processo. Mãe e filho aprendendo a conviver, se entendendo, vivendo as frustrações e tal. Uma vez vi a Hel Mother falar isso num video e achei bem válido.

Hoje, o filhote ainda dá umas reclamadas no carro, mas consigo andar pelo menos 20 minutos sem um choro desesperador, só um barulhinho aqui ou ali. Também procuro (quando dá) sair de carro com ele quando ele está com sono, pra dormir no caminho, quando preciso andar bastante. Isso ajuda muito, muito mesmo.

E eu? Eu de vez em quando ainda me frustro quando ele não corresponde às minhas expectativas. Também estou aprendendo a não tê-las. E todo dia percebendo que Aset está aqui, comigo, enquanto eu vivencio a minha própria maternidade.