domingo, 16 de julho de 2017

Aset Ontem

Há alguns anos, a gente posta textos que falam sobre Aset e o que ela representa; seus mitos, correspondências e influências em nossas vidas.

Mas como e quando surgiu o culto a Ela? Como ele era?

Não se sabe ao certo quando começou o culto a Aset, mas há documentos que remontam à V dinastia no antigo Egito (em torno de 2500 a.C.). Referências do mito de Isis e seu amado Osíris mostram que, naquele tempo, o mito já havia desenvolvido de maneira bem próxima da última versão da história, mas suas origens devem ser consideravelmente mais antigas. Historiadores acreditam que os detalhes desse mito se solidificaram durante a Primeira e a Segunda Dinastias, quando vários outros mitos e rituais egípcios se estabeleceram – logo após a unificação do Alto e Baixo Egito pelos primeiros reis. 

O livro Os Mistérios de Isis menciona que é possível que Aset tenha surgido a partir de uma mulher real, que ensinou várias coisas ao povo Egípcio, e a partir daí foi transformada em Divindade (semelhança com o filme Cloud Atlas, não?). Acredita-se que seu culto iniciou-se no delta do Nilo (onde ele se divide em vários braços para desembocar no mar Mediterrâneo), no Norte do Egito (onde ficava o chamado Baixo Egito).

O Delta do Nilo visto à noite

O Baixo Egito foi uma região de comunicação com a Ásia, e foi invadida por povos de lá, sendo depois utilizada como base bélica para campanhas. A cidade de Pi-Ramsés, localizada lá, se tornou capital do Egito na XIX Dinastia, e depois, no período Ptolomaico e Romano, a região se tornou um importante centro econômico, cultural e político.

O culto a Isis foi popular antes de 3100 a.C., originado na cidade de Sebenitos (no Baixo Egito). Existem três grandes templos em honra a Ela no Egito: um em Behbeit el-Hagar (no Baixo Egito), um em Dendara (no Alto Egito) e um em Filas (no Alto Nilo). O templo de Filas resistiu até o século VI, muito depois da ascensão do cristianismo, até que Justiniano I (que governou de 527 a 565) mandou fechá-lo. Esse foi o último templo a ser fechado, resistindo ao decreto de Teodósio de 380 d.C., que determinava a destruição de todos os templos pagãos. Até o governo de Justiniano I, todos os anos, a imagem de Aset era levada rio acima para fins divinatórios, sendo devolvida em seguida.

O culto a Aset se difundiu além das fronteiras do Egito, e a base no Baixo Egito muito teve sua contribuição. Seu culto assumiu o lugar do culto a Astarte em Biblo; ela assumiu características de Hathor na época do Helenismo. Após a conquista do Egito por Alexandre o Grande, seu culto difundiu-se pelo mundo greco-romano e, daí, Ela foi tomando uma posição de Deusa dominante no mundo mediterrâneo, sempre em sincretismo com outras divindades existentes nos locais em que ela chegava - por isso, foi chamada a Deusa dos Dez Mil Nomes. Existem paralelos entre Isis e Maria, feitos ao final do império romano. A imagem de Aset amamentando Heru é bastante similar à de Maria com Jesus. No começo da Era Comum, o culto a Isis havia se espalhado por toda a região Mediterrânea. Era estimado que, no primeiro século d.C., 10% das pessoas na cidade de Pompéia eram Isíacos. Seu culto foi encontrado por todo o Império Romano, da Inglaterra à Romênia.

Aset amamentando Hórus em comparação com a imagem de Maria com Jesus.



Seu nome significa "Trono", e este era o símbolo em sua coroa antes que ela assumisse características de Hathor. Ela era inicialmente retratada como uma mulher com um vestido longo, por vezes portando um lótus ou um sicômoro. Quando assumiu aspectos de Hathor, ganhou os chifres de vaca com o disco solar. Muitas vezes, foi retratada com Hórus ou segurando o Ankh, entre outras representações.

Aset foi cultuada como mãe de Hórus, como edificação da esposa do faraó, como esposa de Osiris, como Senhora da Magia, e foi absorvendo características de diversas outras Deuses egípcias. Uma de suas principais características, que a tornou a mais importante e poderosa divindade do panteão egípcio, é a de Senhora da Magia.

Alguns entendem Isis e Aset como Deusas diferentes, talvez por todo o sincretismo que ocorreu após a difusão de seu culto pelo mundo. Eu, pessoalmente, percebo uma Deusa só, sendo chamada de Aset (ou Iset, ou Auset, depende da fonte) pelos antigos egípcios (ou keméticos) e de Isis a partir do período helênico (alguns keméticos podem não concordar comigo). Como Isis, ela ganhou uma faceta mais maternal, semelhante à de Maria. Para mim, esta foi a forma que a Deusa encontrou de continuar sendo cultuada após os sincretismos em outras culturas.

Creio que ela foi bem sucedida, não é verdade? Afinal de contas, hoje ela voltou a ser uma das principais Deuses cultuadas pelo mundo. Percebo que cada dia mais pessoas sentem o chamado dela de alguma forma, e ela inclusive inspirou alguns sistemas específicos. Mas essa parte fica pra outro post! :)

Fontes:

REGULA, DeTraci. Os Mistérios de Isis.
FORREST, M. Isidora. Isis Magic.
BOLTON, C. L. Magician, Mother and Queen: A Research Paper on the Goddess Aset.
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis
http://www.asarucollege.org/who-is-isis-and-who-is-aset/
https://en.wikipedia.org/wiki/Mysteries_of_Isis




domingo, 19 de março de 2017

Aset e a Maternidade

Ai, Deusa! Já faz mais de um ano que eu postei aqui! D:

Gente, mil desculpas. Eu realmente nem lembrei muito do blog, não. A maternidade toma tempo, sim, mas não todo ele. Toma muita energia, também. E aí acabei priorizando outras coisas por enquanto. Meu blog pessoal também ficou um tanto parado. Tô cheia de ideias de posts, desde que o filhote nasceu, e não tô escrevendo quase nada, nem pra mim.

Mas então, hoje resolvi trazer um pouco da minha experiência de maternidade com Aset.

Ela está presente o tempo todo. Mesmo em silêncio, sinto ela próxima. Hoje quero contar uma situação específica que aconteceu uns meses atrás.

O meu filho não gosta muito de andar de carro. Agora, depois de um ano, tá ficando mais fácil, mas era DESESPERADOR. Ele chorava muito, nada fazia ele parar. Direto, voltando pra casa (um percurso de uns 30-40 min) eu tive que parar algumas vezes pra acalmá-lo e continuar o caminho. Foi tão difícil que eu comecei a esperar ele ter o sono noturno pra voltar pra casa com ele apagado. E ainda assim, qdo ele sentava no bebê conforto, eu tinha q parar e acalmá-lo antes de sair. Sério, uma vez eu demorei TRÊS HORAS pra chegar em casa por causa disso.

Bom, então, uma vez, quando ele tinha uns seis ou sete meses, eu saí com o carro, ele chorando atrás, e eu já desesperada. Já tinha acontecido algumas vezes, e isso vai estressando e frustrando um pouco a gente, sabe? É muito difícil se sentir extremamente impotente quando o seu bebê tá chorando loucamente e vc precisa sair.

Ele tava lá, chorando, e eu parei o carro. Saí do banco da frente, sentei do lado dele atrás, e quase chorei junto com ele. Gritei um pouco, estressada. Aí peguei meu celular.

Um dos meus amigos tinha me mandado uma imagem, dizendo q havia se lembrado de mim. Era a imagem de uma estátua de Aset amamentando Heru bebê, tipo essa:


Uma das formas boas de acalmar o bebê é amamentando. Eu já tinha tentado isso naquela hora, sem muito sucesso - foi colocar ele de volta na cadeirinha que o choro voltou com força. Mas aí, ao ver essa imagem, senti Aset falando comigo: calma, tá tudo bem.

Hoje, lembrando desse episódio, eu penso que ela queria me dizer que aquilo fazia parte do processo. Bebês estão aprendendo a viver nesse mundo, e isso não é muito fácil, não. E obviamente que eles não vão se comportar da maneira que gostaríamos, só porque queremos. Eles não estão nem aí pro q a gente pensa, vão continuar sentindo e fazendo as coisas do jeito deles. Somos nós, na nossa correria do dia, que criamos expectativas de como um bebê precisa se comportar, e ficamos irritados se ele não corresponde à imagem que fizemos.

Desde que o meu bebê nasceu, tenho me inspirado em Aset para cuidar dele. Tanto nos mitos dela e em como ela cuida de Heru, como na forma que ela cuidou de mim durante esses anos. Deixando eu cair pra aprender a me levantar sozinha. Não permitindo a autopiedade. Acolhendo.

Sinto que ela disse, naquele momento no carro, que não estar tudo bem tb quer dizer que tá tudo bem. Entendem? Faz parte do processo. Mãe e filho aprendendo a conviver, se entendendo, vivendo as frustrações e tal. Uma vez vi a Hel Mother falar isso num video e achei bem válido.

Hoje, o filhote ainda dá umas reclamadas no carro, mas consigo andar pelo menos 20 minutos sem um choro desesperador, só um barulhinho aqui ou ali. Também procuro (quando dá) sair de carro com ele quando ele está com sono, pra dormir no caminho, quando preciso andar bastante. Isso ajuda muito, muito mesmo.

E eu? Eu de vez em quando ainda me frustro quando ele não corresponde às minhas expectativas. Também estou aprendendo a não tê-las. E todo dia percebendo que Aset está aqui, comigo, enquanto eu vivencio a minha própria maternidade.